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sábado, 12 de julho de 2025

आनन्द

Eu falho todos os dias com o Senhor

Mesmo sabendo que minhas demandas,

Em verdade, não tem essência.


Imutável, apenas o Senhor É!

No curso do rio do destino,

nada se mantém na Sua ausência.


À minha volta, o mundo desmorona…

Sabedoria é não ter apego

A nenhuma ilusão.


Realidade é consciência.

Consciência é êxtase.

E êxtase só em comunhão.

domingo, 20 de novembro de 2022

REALIDADE

 Eu que procurei, tantas vezes, ser sincero

Não reconheço o homem que me tornei.

Nas garras de um destino sempre severo

Perdi-me entre os males que plantei.


O céu, sem luz para me guiar,

Cansou de lamentar por minhas ações.

E a chuva, a única a me abraçar,

Parece me condenar em seus trovões.


Eu tento me esconder nas sombras,

mas as trevas são espelhos a me encarar.

O meu pecado me assombra,

Não encontro refúgio em nenhum lugar.


Eu quebro a cabeça, destruo a casa.

E, mesmo assim, a dor não se esvai.

Eu peço a Deus que me dê asas

E meus pés se prendem ainda mais.

PÁSSAROS

Ela não acredita no que vê.

Deve ser por isso que não sabe voar.

Para ela Fé é o mesmo que crer

E carência o mesmo que amar.


Somos dois animais acorrentados.

Ela é dócil, domesticada.

Se contenta com os ossos

De uma vida fútil, entediada.


Mesmo que a vida me prive

De correr, voar e ser selvagem,

Eu sei que nasci para ser livre,

Fugidio como uma miragem.


Embora meu corpo, agora preso,

Nunca prenderam o meu espírito,

Que guarda ainda, não em segredo,

O meu EU sempre vívido.

RUAMA

Ontem a chuva veio sem aviso

Deixando tudo em branco e preto.

E seguindo um rumo impreciso

As lembranças que me dão medo.


As gotas de água na janela,

O cheiro forte que me toma.

O passado feito uma cela,

Uma corrente que me doma.


Raios, trovões, a tempestade!

Ela serve perfeitamente de moldura.

A sensação de liberdade,

Infinita, enquanto dura.


Porém não é a chuva que apaga.

Na verdade, ela é combustível

Que reacende totas as marcas

De algo eterno, inconsumível.


Tal como um sonho (só meu)

Que me foi dado de presente.

Um sonho que já lhe aconteceu

sem meu legado, sem minha semente.

THOR

Tu permaneces inflexível à minha situação!

Alheio à minha vida, o que contemplas então?

O olhar austero nem sequer se desvia.

Como estátua tens ficado durante noites e dias.

Eu clamo, ajoelhado, batendo no meu peito!

Há noites não durmo, inquieto em meu leito.

Até o céu sofre com a dor que me corrói.

Mas Tu, inabalável, nem parece o meu herói...


28 de fevereiro de 2010

INVENCÍVEL ZEUS

Da fértil Terra

nasceram os Gigantes.

Armados para Guerra,

de olhares triunfantes.


Filhos do Céu,

e ainda assim, taciturnos.

Escondido num véu

o pior deles: Saturno.


De curvo pensar

e uma fome implacável.

Déspota a reinar

com maldade imensurável.


Apenas derrotado

por um filho seu.

De raios armado,

o invencível Zeus!

domingo, 2 de outubro de 2022

AMPLITUDE VAZIA

 A música toca. A horda dança.

Eu olho da janela, apenas.

Diante de tanta pujança

sou conflito para a cena.


Não me encaixo, nem sobressaio.

Diferente, no âmago e no espírito.

Uso palavras de soslaio

que não descrevem meu sofrimento (empírico).


Sou, absurdamente, um anátema!

Perdido como formiga sem rastro.

Olha que lástima:

No céu dessa noite, nenhum astro...

DESTERRO

 Meu caminho é solitário

Nem sempre me convenço do motivo.

Perco-me em caminhos ordinários

com a sensação de nunca estar vivo.


A ânsia, o medo, a dúvida

Sempre presente no âmago do espírito.

A sensação de estar em dívida

E não haver saída, condenado como Sísifo.


O horizonte sempre a chamar

Como se a liberdade não existisse aqui.

Sonhos se perdem jogados ao mar

naufragando as lembranças que nunca vivi.


Caruaru, 24 de abril de 2022

HERÓI

Pés calejados pisam no chão frio

Enquanto lágrimas caem do rosto sofrido.

Em vão tem errado no vazio,

Em vão ele tem vivido.


O labirinto que ergueu foi sua prisão,

Afogado no mar que lhe trouxe até aqui.

E mesmo vencendo a ilusão

A serpente, esmagada, há de lhe ferir.


A profecia disse que ele cairá

Envenenado por quem tanto lhe amou.

Doze trabalhos e nenhum compensará,

Nem mesmo as feras que domou.

O TEMPO

O tempo às vezes é deserto

E se alonga mais do que meu corpo suporta.

N'outras, ele é frágil: passado

e futuro se cruzam ao abrir uma porta.


Então o tempo também é um ciclo,

Uma esteira infinita girando no mesmo lugar.

Ou um rio que cava labirintos,

O qual percorremos sem nunca avançar.


O tempo é riso, alegria e passa.

Lágrima e a dor que nunca se esquece.

Coisas boas que nunca duram

E o que é ruim nunca fenece.

sábado, 1 de outubro de 2022

ÍMPETO

 Meu ímpeto às vezes é tenaz

Tão forte se faz

Quanto uma tempestade.

Embora recluso, em parte

Na densidade

De uma sombra mordaz.


Porém a treva, sorrelfa, até que apraz.

Calma me traz

Ao peito ansioso.

Longe de mim ser virtuoso

O semblante roto

Esconde um ser voraz.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Imaginação

A imaginação brinca sempre comigo
Leva-me a lugares que eu desconheço.
Quase sempre ela me serve de abrigo
Um mundo meu, sem endereço;

Mas quem disse que é sempre bom?
Às vezes, lá também me machuco.
E apesar das cores com mais tons
Existe trevas e um deserto taciturno.

Ainda assim, lá é melhor do que aqui
Porque lá eu posso ser quem sou.
O mundo real me obriga num convir,
Retendo e moldando o que de mim sobrou.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

O Tempo

O tempo às vezes é deserto
Se alonga mais do que meu corpo suporta
N'outras ele é fragil. Passado
E futuro se cruzam, ao abrir uma porta.

Então, o tempo também é um ciclo,
Uma esteira infinita, girando no mesmo lugar.
Ou como um rio que cava os labirintos
Que percorremos sem nunca avançar. 

O tempo é riso, alegria que passa.
O tempo é lágrima, dor que nunca se esquece.
Coisas boas nuncam duram
E o que é ruim nunca fenece...

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Nada

Eu não costumava me esquecer...
Agora já não me importo,
Já não me esforço, já nem lembro.
Fui moldado com o tempo
Remontando meus pedaços
A dor ficou pelo caminho
Junto com outras tralhas
que não me serviam mais:
A solidão
A tristeza
O amor
A vida
Eu
Agora estou em paz
Nada me desmorona
Nada me faz chorar
Nada me desaponta
Nada me faz sorrir...

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Remorso

O céu reflete sua dor
Em cada lágrima que escorre do seu rosto.
E mesmo que já distante do horror
Amargo ainda é o seu gosto.

A sina que eu plantei
Foi regada a choro e muito maldade.
O que me tornei?
Perdi-me de mim durante as tempestades.

No espelho reconheço os olhos,
ainda que sem brilho, os seus choraram mais.
Sei do remorso que lhe dói
Mesmo sem olhar para trás.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Lugar Nenhum

Também fui ao outro lado, onde há um mundo avesso. Eu desci a rua de baixo e percebi que matei a Fera várias vezes. Como num dejavu cruzei o labirinto e, ao fim, esqueci o segredo. Como num véu, ficou encoberto. Como se fosse apenas um sonho. Mas a sensação de que algo se perdeu me acompanhará para sempre. Isso eu sei.

domingo, 9 de junho de 2019

Sonhos Mortos

Dentro de mim duas forças lutam
Nenhuma é má, nenhuma é boa
Mas o conflito me traz trevas
E um semblante taciturno.
Mato-me por dentro, e por fora
As pupilas se contraem
Feito as de um ser noturno.

Somadas às marcas da alma
A insatisfação que vem dia após dia.
Meus olhos brilham, e nos lábios
Carrego sempre um sorriso zombador.
O espírito frenético num corpo lânguido
Supostamente resistente a dor.

Para conter as trevas no peito
Respiro devagar, estagnadamente.
A luta continua enquanto
Todo o meu corpo se destrói.
Minha vida frágil também se perde
Nesse mundo externo
Onde não encontro meus heróis.

Tenah-Bromor

Reza a lenda que Drennus era um pai amoroso para com seus filhos: Antus, Deflagru e Ultramor - os quais ele gerou sozinho. Pois era Deus e ao mesmo tempo, Deusa, assexuado.
Drennus, tinha um irmão, que diferente dele era infértil, apesar de ser Deus também. Seu nome era Tenah-bromor. Ambos já foram um só no ventre da criação, mas no momento do nasceimento se dividiram, e apesar de gêmeos, em nada se pareciam. Enquanto Drennus era essencialmente bom, Tenah-Bromor era sisudo, invejoso, essencialmente mau. Este nunca fora contente com a felicidade de seu irmão, que era fonte da vida. Por isso Tenah se afastou de seu irmão e da luz que ele irradiava, tal como uma estrela. Porém, das trevas Tenah-Bromor sempre observava, e engendrava planos maléficos para seu irmão e sua prole.
Antus, o mais velho dos irmão, era arredio mas vigoroso. Não tinha um coração mal, porém seu espírito era orgulhoso. Deflagru era queixoso, mas sempre subalterno ao irmão mais velho. Uma fagulha de Antus sempre brilhou no coração de Deflagru. Já Ultramor, o mais jovem e pequeno,  sempre foi distante dos irmãos. Seus olhos negros contrastavam com os olhos luminosos de seu pai, que sempre mostrou predileção por ele. Assim como Tenah-Bromor, o filho mais moço de Drennus era indiferente a família, sempre distante, e cada vez mais atraído para as trevas do desconhecido, desbravado apenas por seu tio. Drennus foi incapaz de evitar o abismo que se formava entre o seio familiar e seu filho predileto, que até mesmo em aparência, parecia-se com Tenah. Alguns contam que Antus e Deflagru foram gerados apenas de Drennus, mas o filho mais novo era fruto do incesto entre Drennus e Tenah (Tenah não era infértil, afinal). O certo que que o Deus Luminoso definhava, apagando sua centelha ao perceber seu filho o deixando. Antus resolve enfrentar seu irmão e trazê-lo de volta a presença do pai, mas instigado pelas trevas, que falavam contigo, Ultramor mata seu próprio irmão de maneira selvagem, brutal, devorando seu corpo e tragando sua essência o mesmo foi feito com Deflagru. Drennus sucumbiu logo após a morte de seu segundo filho diante de seus olhos, pelas mãos de seu favorito, que exalava o cheiro do mal, da morte... o cheiro de Tenah-Bromor. As trevas que falavam com Ultramor era o próprio Tenah-Bromor que se fortaleceu ainda mais com  definhamento de seu irmão, se tornando um com toda a escuridão do universo. Seus tentáculos espectrais tentam até hoje apagar todas as estrelas do universo, assim como fez com seu irmão, para que reste apenas trevas. Ultramor é apenas um de seus cavaleiros, manipulado pelos cordões invisíveis de seu engenho do mal. Quando toda a luz for destruída, não haverá existência, apenas Tenah-Bromor, o inevitável fim.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Ego

A minha distração
Torna-me alguém tão cruel
Quando estou absorvido em mim
Encontro interno um outro céu
No qual me esvaio, tragado enfim.

Dele retorno,
Nem sempre pelo mesmo caminho
Não percebia que o labirinto estava em mim.
Fincava na pele meus próprios espinhos
E fechava os olhos, fácil assim.

E quando acordei
percebi-me em tamanho pesadelo:
O meu mundo destruído por mim.
O que eu contruí, outrora com zelo
Nas minhas mãos chegava ao fim.

Eu fui um tolo,
Cego, inebriado em tamanha ilusão
Protegendo meu ego em veludo ou cetim
Sentia a dor em meu coração
Mas o mal que me consumia estava em mim

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Perturbação

Ao longe um navio pairava
Como suspenso em pleno ar.
A visão me encantava
Tudo perfeito: o céu, a terra e o mar.

E tal como num sonho
Tudo mudou, assim de repente!
Tremores e um vento medonho
Nos sacudiu até mesmo a mente.

Soldados armados surgiram do nada
abatidos por homens de semblante cruel.
A nau pelo fogo tragada
Fumaça, agora, cobria todo o céu.

O chão já transbordado de morte
Nós encurralados, e não havia como fugir
Sem Deus, sem chances, sem sorte
Não havia esperanças a nos iludir.

E da mesma forma como tudo começou
A legião do mal, enfim,  se esvaiu
Tal como num sonho tudo acalmou
Um sonho, sim! E dele acordo ainda febril!