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domingo, 20 de novembro de 2022

RUAMA

Ontem a chuva veio sem aviso

Deixando tudo em branco e preto.

E seguindo um rumo impreciso

As lembranças que me dão medo.


As gotas de água na janela,

O cheiro forte que me toma.

O passado feito uma cela,

Uma corrente que me doma.


Raios, trovões, a tempestade!

Ela serve perfeitamente de moldura.

A sensação de liberdade,

Infinita, enquanto dura.


Porém não é a chuva que apaga.

Na verdade, ela é combustível

Que reacende totas as marcas

De algo eterno, inconsumível.


Tal como um sonho (só meu)

Que me foi dado de presente.

Um sonho que já lhe aconteceu

sem meu legado, sem minha semente.

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