Ontem a chuva veio sem aviso
Deixando tudo em branco e preto.
E seguindo um rumo impreciso
As lembranças que me dão medo.
As gotas de água na janela,
O cheiro forte que me toma.
O passado feito uma cela,
Uma corrente que me doma.
Raios, trovões, a tempestade!
Ela serve perfeitamente de moldura.
A sensação de liberdade,
Infinita, enquanto dura.
Porém não é a chuva que apaga.
Na verdade, ela é combustível
Que reacende totas as marcas
De algo eterno, inconsumível.
Tal como um sonho (só meu)
Que me foi dado de presente.
Um sonho que já lhe aconteceu
sem meu legado, sem minha semente.
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