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domingo, 26 de junho de 2011

ANTES E DEPOIS, INFERNO!

Um novo pesadelo veio a me atormentar
Como o veneno draconiano que certa vez traguei.
Durante as trevas da meia noite sem luar
Encontro-me no deserto mais infinito que já vaguei;

As sombras condensadas a me sufocar
Pareciam as mãos do terrível Têmero esmagador.
O frio lancinante do vento a soprar
Não doía mais que ouvir dos mortos o seu clamor;

Nesse deserto eu andava a esmo, cegamente,
De pés descalços sobre ossos e espinhos,
Às vezes o chão tremia assustadoramente
Nunca antes me sentira tão sozinho;

Perguntava-me se algum Deus me salvaria
E o Trovão quebrava tamanho silêncio.
A resposta incompreensível não me valia
Permanecia eu no mesmo vilipêndio;

Enquanto nesse deserto meu espírito se arrastava
No meu leito o Anjo de negras asas me visitou.
Minh’alma perdida para sempre estava
No mesmo Inferno que a vida inteira me aprisionou.

APÓS A MORTE, QUEM DERA...





Alma branca, que iluminava minha vida
Faz tempo que este abismo me consome.
Desde o dia de tua partida
Sou sombra errante – sem nome;

Nem mesmo nos sonhos visitara-me mais
Será que esqueceste quem na vida te amou?
Ou será que nestas zonas abissais
Anjo algum jamais adentrou?

Sendo assim, em que adianta sentir
Essa saudade que meu espírito dilacera?
Quem me zomba? Quem sorri?

Não foi suficiente o que sofri sobre a terra?
Por que, após a morte, ainda existir?
Se ao menos de ti não lembrasse, quem dera...

domingo, 5 de junho de 2011

O SEXTO DEVANEIO

Do céu desciam monstros horríveis
O bater de suas asas era ensurdecedor.
Próximos de mim se tornavam invisíveis
A certeza de que existiam vinha da imensurável dor;

A pele queimava devido aos seus ferrões
Gangrenava-se a carne no mesmo instante.
Por dentro e por fora inflamações
E da boca só saiam gemidos agonizantes;

Desesperado, eu me enterrava na areia.
Areia que queimava ao sol do meio-dia.
E como se preso numa teia
Eu era puxado à superfície, em agonia;

A cada nova ferroada a dor lancinava,
Crescia infinitamente além do corpo.
Minha pele ácida eu mesmo arrancava
E meus gritos pareciam o cantar de algum corvo;

De mim eu sentia se expandir um miasma
Enquanto a inércia dominava os meus sentidos.
Do Inferno me liberto, mas não livre da asma,
E uma vez mais os devaneios ficam contidos...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A PORTA – O sétimo devaneio

Meus pés estão rachados
E passam pesadamente por um deserto vermelho
O corpo rígido, congelado,
Mal se sustentando sobre os joelhos;

As pegadas mancham-se de sangue
Tenho andado dias e noites, a esmo,
O corpo insiste que eu descanse
Mas nem sei se é meu corpo mesmo;

Ora estou na cama, sonolento,
Ora me vejo vagando sem destino
Sob um céu cinzento
Ao som frenético de um sino;

Raios silenciosos caem
Por sobre gigantescas dunas mortas
E na escuridão se esvaem
Almas, a cruzar horrenda porta!

Feita de madeira e aço
Sete trancas lhe selavam quando fechada
E guardando-lhe ao lado
Tenebrosa sombra, de foice armada;

“Azrail!” - o vento dizia!
‘’Azrail!’’- a gralha e o corvo concordavam!
E, em mais uma noite fria,
Minh’alma e meu corpo, um do outro, se afastavam...

AMIRAPALTU

Amirapaltu foi um rei que viveu há quase dois milênios antes de Cristo. Governante da cidade de Senar (Suméria), acredita-se que tenha dominado grande parte da Babilônia. Fato que o fez ser confundido com Hamurabi.
É mencionado apenas uma vez na Bíblia (Gênesis 14.1-9), mas mesmo assim mostra todo seu poder quando em parceria de outros três reis (Quedorlaomer, rei de Elão, Arioque, rei de Elasar e Tidal, rei de Goim) dizimam as maiores cidades babilônicas daquela época: Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Zoar. Depois destas batalhas são encurralados por Abrão, Manre, Escol e Aner, que lideravam cerca de trezentos homens cada um.

O significado se seu nome é obscuro, como também é um personagem bíblico seu nome foi adaptado ao hebraico se tornando Anrafel, algo como Deus falou, ou Guarda dos deuses no sumério, este último parecendo ser o significado mais fiel, visto que seu nome não é hebreu.
Como era rei de Senar, provavelmente foi descendente de Ninrode (Nimrod), o primeiro homem poderoso e grande caçador aos olhos de Deus, pois este foi o fundador e primeiro regente desta cidade.
Para entender a história de Amirapaltu é necessário começar pela sua ascendência: Noé, também conhecido pelos sumérios como Ziusudra, e Utnapistim pelos Persas, e ainda de Atrachasis (muitíssimo sábio) em acádio. Este após sobreviver ao dilúvio juntamente com sua família, retornou ao seu local de origem após diminuição do volume de água. Um de seus filhos, Cam (Cão), foi amaldiçoado pelo próprio Noé. A descendência de Cam são os camitas (também grafado hamitas), povo que cresceu ao norte da África. Poém Cush, filho de Cam deu origem a dois reinos: Cushitas (grafado também como Cachitas ou Cassitas, no original: Kashshûs) que se instalaram no antigo oriente (Mesopotânia) e os Etíopes (Etiópia, na África), povo oriundo dos Cushitas dispersos depois do evento da Torre de Babel. Cush, segundo tradição bíblica é pais de Ninrode, o grande "caçador" aos olhos de Deus. Visto que os território cushitas eram tomados dos semitas (descendentes de Sem) o vocábulo caçador é perjorativo, visto que Deus não aprovava a caça (assassinato). A tradução errônea se deve ao fato de seu próprio nome não ser semita, mas sim camita, que segundo historiadores tem língua própria. Nimrod, como fundador das cidades de Babel (Babilônia), Acádia, Uruk (Erek) na região de Senaar (Senar/Suméria), é conhecido pelos sumérios pelo nome de En-merkar, mas outra figura se assemelha bem mais com o regente guerreiro e caçador: Gilgamesh (Talvez o mais importante rei da dinastia assíria).
No Talmude encontramos: Então, por que foi ele chamado de Ninrode? Porque incitou todo o mundo a se rebelar (himrid) contra a Sua soberania. - Ninrode, portanto, é um epíteto e não seu verdadeiro nome.
Gilgamesh também foi rebelde por se voltar contra decisão dos deuses que lhe negaram a imortalidade. Com isso Gilgamesh inicia uma busca (caça, daí a origem do outro epíteto: grande caçador) a Utnapistim (Noé), ainda vivo, para entender os segredos do que lhe foi negado. E toda a jornada deste é uma afronta aos deuses.
Os descendentes de Nimrod se afastaram cada vez mais dos laços com o povo semita quando em Babel ergueram uma torre desafiando Deus (a torre é culturalmente atribuída ao próprio Ninrode). Como punição pela construção da torre que desafiava Deus, seus súditos foram espalhados pelo mundo e sua língua, tornou-se confusa.
Assim estava o povo de Amirapaltu, disperso desde os tempos de Nimrod. Os motivos que o levaram a uma aliança com os reis Quedorlaomer ainda estão obscuro. Mas nota-se claramente que o seu próprio reino estava despedaçado, principalmente pelo descrédito de seus próprios súditos. Talvez por isso se aliou aos reis de Elão, Elasar e Goim, para evitar revoltas internas, tendo apoio de exércitos externos para isso. Assim como almejava evitar que estes reis, ávidos por territórios, invadissem e tomassem o seu reino. O mais impressionante nisto tudo foi a derrota que estes reis, com seus exércitos, acostumados a dizimar cidades inteiras, foram derrotados por patriarcas tribais, que lideravam cerca de 1.200 homens (especulando que cada tivesse a mesma quantidade de homens, com base nos 318 soldados nascidos sob a casa de Abrão). Não esqueçamos que Abrão atacou à noite, e que talvez a surpresa, somada a guarda abaixada, foram fatores decisivos para a vitória do patriarca bíblico. Realmente a decadência da Suméria (Senar) não tinha mais freio. Nunca mais ela seria a nação que foi um dia.