Um novo pesadelo veio a me atormentar
Como o veneno draconiano que certa vez traguei.
Durante as trevas da meia noite sem luar
Encontro-me no deserto mais infinito que já vaguei;
As sombras condensadas a me sufocar
Pareciam as mãos do terrível Têmero esmagador.
O frio lancinante do vento a soprar
Não doía mais que ouvir dos mortos o seu clamor;
Nesse deserto eu andava a esmo, cegamente,
De pés descalços sobre ossos e espinhos,
Às vezes o chão tremia assustadoramente
Nunca antes me sentira tão sozinho;
Perguntava-me se algum Deus me salvaria
E o Trovão quebrava tamanho silêncio.
A resposta incompreensível não me valia
Permanecia eu no mesmo vilipêndio;
Enquanto nesse deserto meu espírito se arrastava
No meu leito o Anjo de negras asas me visitou.
Minh’alma perdida para sempre estava
No mesmo Inferno que a vida inteira me aprisionou.