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domingo, 31 de julho de 2011

DEUSES

Ainda que Eu ande num vale de Trevas e de Morte
Não temerei nenhum presságio maligno que seja.
Pois sempre andei à beira da falta de Sorte
E a própria Vida anunciou que não me deseja;

Já andei em abismos, em desertos e no Inferno!
Eu sei que a mão de meu Deus nunca me faltou:
Saciou minha sede no verão, e no inverno,
Apesar do frio não me matou;

Andei lado a lado com Demônios e Bestas
Bebi o sangue daqueles que mereceram morrer!
Vaguei por entre dunas gigantescas
Terras estas onde o mal possuía mais poder;

Voltei intacto do Limbo, do Infinito e de Saturno,
Perdi as contas de quantas vezes me perdi por lá.
Acho que foi isso que me deixou taciturno:
Viver tão afastado do mar...

Eu vagava durante o dia - amava o Sol.
Mas foi num amanhecer que tudo se transformou:
Tive que aprender a estar só
Porque ninguém percebia o vazio que me ficou.

O Sol já não me traz mais alegria, só aversão!
Ele é a lembrança da vida que eu tenho perdido.
É o ódio que Eu sinto em meu coração
A falta de paz no meu espírito;

Por isso o Medo não me consiste, não me integra.
Nasci para muitas coisas, inclusive morrer!
Na vida creio existir apenas uma regra:
Habitar os Deuses para um deles também ser!

RODA DOS MUNDOS


Logo mais a chama se extinguirá
Anunciando o caos apocalíptico.
O clamor das espadas sanguinárias
Só será abafado por gritos e gemidos;

Nos olhos de todos um ardor cítrico
E no peito um vazio insondável.
Como diziam os textos bíblicos:
Do mar ergue-se Leviatã, imensurável;

Eu verei tudo isto acontecer
Bem como já havia acontecido.
O Céu ao meio dia escurecer
E mais um mundo sendo destruído.

sábado, 23 de julho de 2011

CANÇÃO DA VITÓRIA


Eu vejo o desespero que mora em teu coração.
Isso alegra minha mente e torna-se o meu suporte.
Tu entregas tua fraqueza em minhas mãos,
Dela eu me alimento e fico mais forte!


Eu adoro o medo que brota dos teus olhos.
A minha vida perde o tédio e entra em movimento.
O sangue de tua carne e de teus ossos
Se congela, perde o fluxo: uma nuvem sem vento!


Enquanto tu paras a energia corre em mim:
Meus músculos se expandem e meu corpo fica maior!
E tudo isso está longe do fim,
Só quando tu choras eu me sinto melhor!


"Filho do Demônio!" - tu balbuciará sentindo pavor.
Em minha vida tive mesmo algo de bastardo.
Assim como as Trevas devoram toda e qualquer cor
Eu brindo o sangue do meu inimigo derrotado! 

DEVANEIO V

Andava eu por entre abismos
Às vezes rastejando em frios desertos.
Na mente tosca, o pessimismo,
Pairando sempre por perto;


Uma Besta escondida me seguia
Vendo em mim o fim de sua fome.
Enquanto a noite se erguia
A Fera atacou rugindo meu nome!


Tinha o dobro do meu tamanho
Garras e dentes bem afiados.
O sangue escorreu feito um banho
Em meu corpo dilacerado;


Faltando-me pedaços, até mesmo na face,
o meu corpo não resistiu.
E depois de saciar-se,
Suja em meu sangue, a Fera partiu.

domingo, 17 de julho de 2011

LIMBO

Não mereço o Céu, não mereço o Inferno!
Não pesei sobre a terra em que piso.
Todos os dias, do verão ao inverno,
Nem tristezas, nem sorrisos...


Eu não sei o que quer dizer ''ajudar'',
Não lembro de nada que eu construí.
De certo eu já fiz alguém sangrar
e poucas vezes fiz alguém sorrir;


Não fui antídoto ou mesmo veneno,
Eu fui neutro, invisível demais.
Para mim, nenhum aceno,
Nenhum barco lá no cais!

EM COMUM...

Para qual deus tu fazes tuas preces
quando ajoelha-te à noite em teu quarto?
Diga-me o que te acontece
quando percebe que o céu está tão longe e tão alto?

Estes teus olhos assim escuros, assim fundos,
é por causa das lágrimas que tens derramado?
Quando tu olhas para este mundo
o que vês além da angústia que tens suportado?

E estas tuas mãos, pequenas e brandas,
por quantas vezes as sujou com teu próprio sangue?
A dor que em teu peito tranca
é que te causa essa aparência tão langue?

Em verdade, o quê tu guardas em teu coração?
Que marcas horrendas esconde neste teu peito?
O que te faz cair por este chão
e te faz gritar com tanto desespero?