Ainda que Eu ande num vale de Trevas e de Morte
Não temerei nenhum presságio maligno que seja.
Pois sempre andei à beira da falta de Sorte
E a própria Vida anunciou que não me deseja;
Já andei em abismos, em desertos e no Inferno!
Eu sei que a mão de meu Deus nunca me faltou:
Saciou minha sede no verão, e no inverno,
Apesar do frio não me matou;
Andei lado a lado com Demônios e Bestas
Bebi o sangue daqueles que mereceram morrer!
Vaguei por entre dunas gigantescas
Terras estas onde o mal possuía mais poder;
Voltei intacto do Limbo, do Infinito e de Saturno,
Perdi as contas de quantas vezes me perdi por lá.
Acho que foi isso que me deixou taciturno:
Viver tão afastado do mar...
Eu vagava durante o dia - amava o Sol.
Mas foi num amanhecer que tudo se transformou:
Tive que aprender a estar só
Porque ninguém percebia o vazio que me ficou.
O Sol já não me traz mais alegria, só aversão!
Ele é a lembrança da vida que eu tenho perdido.
É o ódio que Eu sinto em meu coração
A falta de paz no meu espírito;
Por isso o Medo não me consiste, não me integra.
Nasci para muitas coisas, inclusive morrer!
Na vida creio existir apenas uma regra:
Habitar os Deuses para um deles também ser!