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quinta-feira, 30 de maio de 2019

Perturbação

Ao longe um navio pairava
Como suspenso em pleno ar.
A visão me encantava
Tudo perfeito: o céu, a terra e o mar.

E tal como num sonho
Tudo mudou, assim de repente!
Tremores e um vento medonho
Nos sacudiu até mesmo a mente.

Soldados armados surgiram do nada
abatidos por homens de semblante cruel.
A nau pelo fogo tragada
Fumaça, agora, cobria todo o céu.

O chão já transbordado de morte
Nós encurralados, e não havia como fugir
Sem Deus, sem chances, sem sorte
Não havia esperanças a nos iludir.

E da mesma forma como tudo começou
A legião do mal, enfim,  se esvaiu
Tal como num sonho tudo acalmou
Um sonho, sim! E dele acordo ainda febril!

Estou só...

Faz tanto tempo que ando por sobre cinzas
Que não me recordo de um um mundo melhor...
Tudo tem sido assim por tanto tempo,
Não lembro se havia mesmo um sol.

Não sinto fome, nem sede, nem cansaço
O vazio que carrego devorou-me tudo... Tudo!
Até as lágrimas que ainda verto
esqueci dos motivos, estou sempre confuso...

Oh Deus, e agora o que eu faço?
Quando eu tinha tudo eu não tinha fé...
Ando sozinho, num mundo destruído
As ruínas que causei estão sob meus pés!

Mas meu peito vazio ainda soluça
As lágrimas que me vertem não adubam o chão.
Estou só... e eu nem sabia
Que eu ainda tinha algum coração...

Ignotas Trevas

Tudo aconteceu de repente,
como um grito de bebê na noite.
O urro do Monstro balançava o chão.
E como, na alma, um açoite
desanuviava minhã razão.

O monstro era horrendo!
Ameaçava minha vida, o meu tudo!
Minha prole chorava de pavor!
Tudo ao redor ficou mudo
enquanto eu enchia-me de furor.

Saltei por sobre o monstro,
suas garras rasgaram o meu busto.
O sangue vertia e inundava todo o chão.
Eu me ergui ainda mais bruto,
Morrer não seria uma opção!

Ataquei a fera em igual selvageria:
Eu a lacerava de forma tenaz.
Nossos urros eram trovões e terremotos!
O mundo todo se desfaz
e, de repente, desperto do sonho remoto...

A fúria desesperada me acompanhava.
Em transe continuei no mundo real.
Para onde olhava, ignotas trevas.
O corpo sem alma, só o vazio, afinal,
que ainda me escorre pelas arestas...