Certa
noite um sonho tenebroso
Fez-me
refém durante o sono:
Foi numa
noite fria e chuvosa
No fim do
outono;
Eu me
encontrava numa caverna
Onde
havia extensa escadaria.
Pus-me a
descer, sem medo,
Apesar
daquela escuridão sombria;
A cada
passo que eu dava
Sentia
tremer aquele chão.
De
repente ouço uivos
De algum
soturno cão;
Não sei
se foi pelo uivo,
Mas eu
estava, agora, aflito!
Minha
mente esvaneceu-se
Eu não
venceria este conflito;
O cão
surge em minha frente,
O chão
abre-se aos meus pés!
A
sanidade agora ausente
Apenas
pavor em minha tez;
O cão
gigante, pavoroso,
Pressionava-me
ante a cratera.
Havia
três cabeças em seu pescoço
Era negro
como uma pantera;
Então vi,
montado em seu dorso,
Uma
figura esquálida!
Era só
trapo e osso,
Numa pele
seca e pálida;
A figura
esdrúxula gritou:
“Acalma-te,
alma ainda terrena!”
Da Fera
ele saltou
A imagem
era ainda mais horrenda;
A cabeça
calva, olhos fundos,
A carne
há tempos apodrecida.
Um
Demônio de outro mundo
Tomando
minha vida!
Ao se
aproximar de mim
Seu odor
me fez vomitar.
As forças
fugiam, era meu fim,
Ninguém
viria me salvar;
“O que
fazes tão longe de casa?”
“O que
buscas aqui nos Infernos?”
“Onde
estão tuas asas?”
“Responda,
filho do Eterno!”
_Não
tenho asas, não sou anjo.
Sou
apenas um homem perdido!
Não me
adentrei neste antro
Eu fui
trazido!
“Agora
entendo o teu destino”
“Tal como
o que me aconteceu”
“O vazio
no peito desde menino”
“As
costas viradas para Deus.”
“Agora
este é o meu castigo:”
“Habitar
o mundo que assombra”
“Tenebroso
Reino do Holocausto.”
“Vá
embora, meu amigo.”
“E não te
esqueça desta sombra”
“que um
dia chamou-se Fausto!”