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domingo, 20 de dezembro de 2015

NOITE

A densa Noite não me esqueceu!
Em horas de insônia ela grita meu nome.
Com um manto, um caduceu,
E nas taças, sangue para matar a fome;

Saímos nós dois pelas ruas
Embriagados da morte ao nosso redor.
Ao canto de musas seminuas
Banhados de prazer e muito suor;

A madrugada bela, quase infinita,
Moldurando uma vontade tão homérica.
De asas abertas, destemidas,
Sobrevoando mares e Américas;

Amante da Noite, filho das Trevas,
Qual termo melhor me definiria?
Minh' alma ainda se conserva
Como antes de Deus haver criado o dia.

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