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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

OS DEUSES PRIMORDIAIS

_Por Esíodo

Sim, Bem primeiro nasceu Caos, depois também Terra de amplo seio, de todos sede irresvalável sempre, dos imortais que têm a cabeça do Olimpo nevado, e Tártaro nevoento no fundo do chão de amplas vias, e Eros: o mais belo entre deuses imortais, solta-membros, dos deuses todos e dos homens todos ela doma no peito o espírito e a prudente vontade.
Do Caos, Érebo e Noite negra nasceram. Da Noite, aliás, Éter e Dia nasceram, gerou-os, fecunda, unida a Érebo em amor.
Terra primeiro pariu, igual a si mesma  Céu constelado, para cercá-la toda ao redor e ser, aos deuses venturosos, irresvalável sempre. Pariu altas Montanhas, belos abrigos das deusas-ninfas que moram nas montanhas frondosas. E pariu a infecunda planície impetuosa de ondas, o Mar, sem o desejoso amor. Depois pariu do coito com o Céu: Oceano de fundos redemoinhos e Coios e Crios e Hipérion e Jápeto e Téia e Réia e Têmis e Memória e Febe de áurea coroa e Tétis amorosa. E após com ótimas armas Cronos de curvo pensar, filho mais terrível: detestou o florescente pai.
Pariu ainda os Ciclopes de soberbo coração: Trovão, Relâmpago e Arges de violento ânimo que a Zeus deram o trovão e forjaram o raio. Eles no mais eram comparáveis aos deuses, único olho bem no meio repousava na fronte. Ciclopes denominava-os o nome, porque neles circular olho sozinho repousava na fronte. Vigor, violência e engenho possuíam na ação.
Outros ainda da Terra e do Céu nasceram, três filhos enormes, violentos, não nomeáveis. Cotos, Briareu e Gigos, assombrosos filhos. Deles, eram cem braços que saltavam dos ombros, improximáveis; cabeças de cada um cinquenta brotavam dos ombros, sobre os grossos membros. Vigor sem limite, poderoso na enorme forma.

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