Todas
as noites o mesmo pesadelo:
Sob
um suposto céu plácido
Meus
braços queimam em ácido
Estarrecendo-me
com um medo
Que
me sobe dos pés aos cabelos;
Vejo
no ar horrendas criaturas
Armadas
de ferrões e asas
Que,
revestidas em brasa,
Ao
menor toque me desfigura,
Abrindo-me
uma ferida - sem cura;
Meus
gritos de desespero são abafados
O
ar, tão denso, não entra no peito
Caio
por terra, contrafeito,
A
esperança agora é um fardo,
Que
mutila a alma dos fracassados;
A
sede de sangue das feras
Continua
insaciável, ininterrupta,
Enquanto
uma força ainda mais bruta,
Pelos
antigos chamada Quimera
Cuspia
fogo e enxofre sobre a terra;
Tentávamos
nos esconder, em vão,
Sob
o solo, nos enterrando,
Cravando
os dedos já sangrando
Na
terra dura, seca e sem compaixão,
Cavando
o próprio túmulo, sem caixão;
Da
ponta dos dedos aos ombros
O
ácido percorre estranhamente
Veios
de queimaduras ardentes
Que,
tal como um assombro,
Dão-me
a aparência de um monstro;
Nenhum comentário:
Postar um comentário