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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

UM SONHO

Todas as noites o mesmo pesadelo:
Sob um suposto céu plácido
Meus braços queimam em ácido
Estarrecendo-me com um medo
Que me sobe dos pés aos cabelos;

Vejo no ar horrendas criaturas
Armadas de ferrões e asas
Que, revestidas em brasa,
Ao menor toque me desfigura,
Abrindo-me uma ferida - sem cura;

Meus gritos de desespero são abafados
O ar, tão denso, não entra no peito
Caio por terra, contrafeito,
A esperança agora é um fardo,
Que mutila a alma dos fracassados;

A sede de sangue das feras
Continua insaciável, ininterrupta,
Enquanto uma força ainda mais bruta,
Pelos antigos chamada Quimera
Cuspia fogo e enxofre sobre a terra;

Tentávamos nos esconder, em vão,
Sob o solo, nos enterrando,
Cravando os dedos já sangrando
Na terra dura, seca e sem compaixão,
Cavando o próprio túmulo, sem caixão;

Da ponta dos dedos aos ombros
O ácido percorre estranhamente
Veios de queimaduras ardentes
Que, tal como um assombro,
Dão-me a aparência de um monstro;

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