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domingo, 20 de dezembro de 2015

LUTO

Questiono-me varias vezes
O homem que me tornei.
A mente vazia por meses
E os gostos que eu tinha e mudei;

Tenho andado insatisfeito,
Insensível, com palavras amargas.
Ausente em meu próprio leito
Por longos intervalos na madrugada;

Ando pela casa, invisível.
Eu sei que este não sou eu!
O que antes parecia indivisível
Além de partir também morreu...

NOITE

A densa Noite não me esqueceu!
Em horas de insônia ela grita meu nome.
Com um manto, um caduceu,
E nas taças, sangue para matar a fome;

Saímos nós dois pelas ruas
Embriagados da morte ao nosso redor.
Ao canto de musas seminuas
Banhados de prazer e muito suor;

A madrugada bela, quase infinita,
Moldurando uma vontade tão homérica.
De asas abertas, destemidas,
Sobrevoando mares e Américas;

Amante da Noite, filho das Trevas,
Qual termo melhor me definiria?
Minh' alma ainda se conserva
Como antes de Deus haver criado o dia.

UMA ESTAÇÃO QUALQUER

O vento frio rasga minha pele,
A armadura não é tão forte assim.
A ira d’ uma peste,
Que me persegue,
E não traz o meu fim.

Cruzo desertos, montanhas e o próprio mar,
Os caminhos que, às vezes, me cegam.
A loucura febril a queimar
E o vazio, seu par,
Que Deus e o Diabo não me negam.

Não há flores, nem pássaros, nem céu!
A Terra toda virada ao avesso!
E num imenso fogaréu
O escarcéu
Dos meus Deuses feitos de gesso.

Aqui é mesmo o Inferno
E apesar de ferido a morte não me quer.
O sofrimento eterno,
Assim como o inverno,
É uma estação qualquer.

ÉBRIO EM NOITES SÓBRIAS

Eu canto as mágoas que um dia eu tive
Na embriaguez que o vinho me traz
Quantas vezes irado, me contive
Com os olhos ardendo em furor tenaz;

A lua foi testemunha quando eu
Por várias vezes tentei me redimir
Mas minhas preces, o meu Deus
Não soube, não quis me ouvir;

Macilento, vaguei pelas sombras,
A bebida minha única companheira.
A vida errante já não me assombra

Ao contrário, hoje me pranteia!
E quando a tristeza me toma
Deixo-me cair em suas teias.

AGOSTO

Ultimamente não tenho tido muitos sonhos
Durante a noite já não fico mais em prantos.
Ainda assim, às vezes, me assombro
Quando minha alma perde-se pelos cantos;

No meu peito habitava uma fera
E parece fazer tempo que ela me deixou.
Em seu lugar uma imensa cratera
Que pensamento algum jamais sondou;

A vontade de ficar só ainda existe
Apesar de algo em mim, ter mudado.
Por dentro ainda sou muito triste
Na vida nada tem me confortado.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

CADENTE

Quando o sol escondeu-se no horizonte
Uma voz triste recitava odes antigas.
Cruzando a noite, desenhando uma ponte.
Uma estrela cai - morre uma amiga.

Será este o fim de todos os astros:
Precipitarem-se para a escuridão?
Cadê o arco-íris que brilhava no átrio?
Abandonou-nos após nossa desrazão.

SANSARA



Às vezes, o mundo se avessa
E pareço perder-me em nostalgia
A inexperiência rota me atravessa
Deixa minha mente imersa em letargia;

O que aconteceu com a austeridade
cognitiva que adquiri em estações passadas?
Meu coração, na fragilidade,
Se desmancha, e eu não sinto mais nada;

Bruto, a circunstância me molda
Embora Deus tenha me feito terno.
A vida com lâminas me poda;

Protegido deveria ficar meu Eu interno
Mas ainda preso nessas cordas
O Sansara me brinda com mais um inverno.