Ela não orou antes de dormir
e o Demônio veio uma vez mais.
Incrível! Sou eu quem perco a paz
Porque sei o que está por vir;
O seu câncer a crescer e destruir
a sua alma! Eu nada faço.
Se não fosse o nosso laço
eu poderia até sorrir;
Uma vez, eu lhe disse: "Cuidado
com o homem do olhar de cobra!"
Ele vai lhe matar e as sobras
serão lixo e resto putrefato.
É só isso que a vida nos cobra:
A verdade, não o seu caráter falsificado.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2015
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
À BEIRA DO ESTIGE
Não mereço o céu, não mereço o inferno!
Não pesei sobre a terra em que piso.
Todos os dias, do verão ao inverno,
Nem tristezas, nem sorrisos;
Eu não sei o que é ajudar
Também Não sei se já fiz alguém cair.
Será que Eu fiz alguém sangrar?
Não me lembro de ter feito alguém sorrir;
Eu fui já antídoto ou mesmo veneno?
Acho que fui neutro, invisível demais.
Porque não vi nenhum aceno.
Nenhum barco esperava-me no cais.
DE MIM MESMO
Hoje, eu ando distraído, impreciso.
A idade acumulou-se em minhas costas.
E, apesar de meu sorriso,
Pesa-me a dádiva imposta.
Eu prefiro acreditar que foi o tempo
O responsável pela mudança de meu ser.
Partes de minha vida eu não lembro,
Esqueci-me que eu nunca fui de esquecer.
O mais triste é que eu mudei de tal forma
Que até o mundo pareceu mudar.
Assim, enquanto o mundo se deforma,
Eu me vejo, também, a me deformar.
Mas confesso que não me preocupei.
Já não sofro mais como antes.
Quando de mim mesmo me ausentei
Até a dor ficou distante.
ALMA DOENTE
Eu
sofro quando não estou com sono
Pensamentos
nostálgicos não me deixam em paz.
Às
vezes, nem se nota o meu ar tristonho
Mas
por dentro desmorono-me num choro tenaz;
Lembranças
de vidas passadas, mortas e enterradas,
Coisas
que eu sinto e que nunca cheguei a viver.
O
semblante ainda de uma pessoa despreocupada
Apesar
da angústia no espírito a me corroer;
Quando
tento entender o que me acontece
Vejo
que minha vida não poderia ser diferente.
Sinto-me
assim sempre que anoitece:
Entorpecido,
desde que nasci, de alma doente!
ENCLAUSURADO
Antes
tudo era claro e exato
E
mesmo na escuridão havia certeza
Não
era necessário provar com tato
As
coisas eram o que eram, por natureza;
A
verdade inflexível e inexorável
Eu
mesmo centrado e incorruptível
Filho
do Átomo inquebrável
E, por
tanto, eu mesmo indivisível;
Mas
desviei-me sem ao menos perceber
O
caminho que se tornara um viés
Eu
fiquei vazio, a me perder,
Sem
controle sobre os meus pés;
Algo
me cegava e me prendia
Aos
poucos me tornei uma pessoa comum
A
alma no peito a ficar fria
Não
me encontro agora em lugar algum;
De
repente, num sonho, ou devaneio,
A
luz do archote surge para me guiar
Mas
o mundo real como um freio
Proíbe meu espírito de avançar...
INVERNO
Não deixe eu me acostumar com os seus gritos
Eles me jogam para longe do seu coração
Como se eu lutasse contra Grifos
Perco uma vida em cada arranhão;
Você diz que não vive sem mim
Mas no mesmo instante me chama de Inferno
Eu caio num abismo sem fim
E todas as estações se mesclam num inverno;
Às vezes eu sinto frio, sabia?
Lembra-se da última vez que eu chorei?
Cadê toda aquela magia
Que em você um dia
encontrei?
domingo, 14 de setembro de 2014
DIVERSUS INTER PARES
Tenho vivido de forma intangível
Só às vezes conseguem me encontrar
Até no espelho sou invisível
Deixei a vida, sem vida, me levar;
Só às vezes conseguem me encontrar
Até no espelho sou invisível
Deixei a vida, sem vida, me levar;
Às vezes, lembro-me de Deus
E de Satã com a mesma frequência.
E como se sentisse o frio dos Pireneus
Vence-me a dormência;
E de Satã com a mesma frequência.
E como se sentisse o frio dos Pireneus
Vence-me a dormência;
E assim fui ficando à parte da vida
Deixando-me em vários lugares
Diminuí-me como em dívida
Mesmo sendo diversus inter pares;
Deixando-me em vários lugares
Diminuí-me como em dívida
Mesmo sendo diversus inter pares;
Mas tenho estado supostamente feliz
Alienado no mundo em que estou
Sentindo a ferida aberta na cicatriz
Do mundo que o Senhor, um dia, me arrancou.
Alienado no mundo em que estou
Sentindo a ferida aberta na cicatriz
Do mundo que o Senhor, um dia, me arrancou.
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