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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

ENCLAUSURADO

Antes tudo era claro e exato
E mesmo na escuridão havia certeza
Não era necessário provar com tato
As coisas eram o que eram, por natureza;

A verdade inflexível e inexorável
Eu mesmo centrado e incorruptível
Filho do Átomo inquebrável
E, por tanto, eu mesmo indivisível;

Mas desviei-me sem ao menos perceber
O caminho que se tornara um viés
Eu fiquei vazio, a me perder,
Sem controle sobre os meus pés;

Algo me cegava e me prendia
Aos poucos me tornei uma pessoa comum
A alma no peito a ficar fria
Não me encontro agora em lugar algum;

De repente, num sonho, ou devaneio,
A luz do archote surge para me guiar
Mas o mundo real como um freio
Proíbe meu espírito de avançar...

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