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quinta-feira, 2 de junho de 2011

A PORTA – O sétimo devaneio

Meus pés estão rachados
E passam pesadamente por um deserto vermelho
O corpo rígido, congelado,
Mal se sustentando sobre os joelhos;

As pegadas mancham-se de sangue
Tenho andado dias e noites, a esmo,
O corpo insiste que eu descanse
Mas nem sei se é meu corpo mesmo;

Ora estou na cama, sonolento,
Ora me vejo vagando sem destino
Sob um céu cinzento
Ao som frenético de um sino;

Raios silenciosos caem
Por sobre gigantescas dunas mortas
E na escuridão se esvaem
Almas, a cruzar horrenda porta!

Feita de madeira e aço
Sete trancas lhe selavam quando fechada
E guardando-lhe ao lado
Tenebrosa sombra, de foice armada;

“Azrail!” - o vento dizia!
‘’Azrail!’’- a gralha e o corvo concordavam!
E, em mais uma noite fria,
Minh’alma e meu corpo, um do outro, se afastavam...

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