Do céu desciam monstros horríveis
O bater de suas asas era ensurdecedor.
Próximos de mim se tornavam invisíveis
A certeza de que existiam vinha da imensurável dor;
A pele queimava devido aos seus ferrões
Gangrenava-se a carne no mesmo instante.
Por dentro e por fora inflamações
E da boca só saiam gemidos agonizantes;
Desesperado, eu me enterrava na areia.
Areia que queimava ao sol do meio-dia.
E como se preso numa teia
Eu era puxado à superfície, em agonia;
A cada nova ferroada a dor lancinava,
Crescia infinitamente além do corpo.
Minha pele ácida eu mesmo arrancava
E meus gritos pareciam o cantar de algum corvo;
De mim eu sentia se expandir um miasma
Enquanto a inércia dominava os meus sentidos.
Do Inferno me liberto, mas não livre da asma,
E uma vez mais os devaneios ficam contidos...
Esse poema foi baseado num sonho que eu tive. Como eu escrevi o poema logo após o sonho não tive muito tempo de analisá-lo (o sonho), e talvez tenha faltado alguma informação. Assim algum tempo depois eu escrevi uma segunda versão para o sonho, que pode ser visto como um complemento para este poema. Logo mais o postarei também.
ResponderExcluir