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quinta-feira, 16 de julho de 2020

Imaginação

A imaginação brinca sempre comigo
Leva-me a lugares que eu desconheço.
Quase sempre ela me serve de abrigo
Um mundo meu, sem endereço;

Mas quem disse que é sempre bom?
Às vezes, lá também me machuco.
E apesar das cores com mais tons
Existe trevas e um deserto taciturno.

Ainda assim, lá é melhor do que aqui
Porque lá eu posso ser quem sou.
O mundo real me obriga num convir,
Retendo e moldando o que de mim sobrou.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

O Tempo

O tempo às vezes é deserto
Se alonga mais do que meu corpo suporta
N'outras ele é fragil. Passado
E futuro se cruzam, ao abrir uma porta.

Então, o tempo também é um ciclo,
Uma esteira infinita, girando no mesmo lugar.
Ou como um rio que cava os labirintos
Que percorremos sem nunca avançar. 

O tempo é riso, alegria que passa.
O tempo é lágrima, dor que nunca se esquece.
Coisas boas nuncam duram
E o que é ruim nunca fenece...

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Nada

Eu não costumava me esquecer...
Agora já não me importo,
Já não me esforço, já nem lembro.
Fui moldado com o tempo
Remontando meus pedaços
A dor ficou pelo caminho
Junto com outras tralhas
que não me serviam mais:
A solidão
A tristeza
O amor
A vida
Eu
Agora estou em paz
Nada me desmorona
Nada me faz chorar
Nada me desaponta
Nada me faz sorrir...

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Remorso

O céu reflete sua dor
Em cada lágrima que escorre do seu rosto.
E mesmo que já distante do horror
Amargo ainda é o seu gosto.

A sina que eu plantei
Foi regada a choro e muito maldade.
O que me tornei?
Perdi-me de mim durante as tempestades.

No espelho reconheço os olhos,
ainda que sem brilho, os seus choraram mais.
Sei do remorso que lhe dói
Mesmo sem olhar para trás.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Lugar Nenhum

Também fui ao outro lado, onde há um mundo avesso. Eu desci a rua de baixo e percebi que matei a Fera várias vezes. Como num dejavu cruzei o labirinto e, ao fim, esqueci o segredo. Como num véu, ficou encoberto. Como se fosse apenas um sonho. Mas a sensação de que algo se perdeu me acompanhará para sempre. Isso eu sei.

domingo, 9 de junho de 2019

Sonhos Mortos

Dentro de mim duas forças lutam
Nenhuma é má, nenhuma é boa
Mas o conflito me traz trevas
E um semblante taciturno.
Mato-me por dentro, e por fora
As pupilas se contraem
Feito as de um ser noturno.

Somadas às marcas da alma
A insatisfação que vem dia após dia.
Meus olhos brilham, e nos lábios
Carrego sempre um sorriso zombador.
O espírito frenético num corpo lânguido
Supostamente resistente a dor.

Para conter as trevas no peito
Respiro devagar, estagnadamente.
A luta continua enquanto
Todo o meu corpo se destrói.
Minha vida frágil também se perde
Nesse mundo externo
Onde não encontro meus heróis.

Tenah-Bromor

Reza a lenda que Drennus era um pai amoroso para com seus filhos: Antus, Deflagru e Ultramor - os quais ele gerou sozinho. Pois era Deus e ao mesmo tempo, Deusa, assexuado.
Drennus, tinha um irmão, que diferente dele era infértil, apesar de ser Deus também. Seu nome era Tenah-bromor. Ambos já foram um só no ventre da criação, mas no momento do nasceimento se dividiram, e apesar de gêmeos, em nada se pareciam. Enquanto Drennus era essencialmente bom, Tenah-Bromor era sisudo, invejoso, essencialmente mau. Este nunca fora contente com a felicidade de seu irmão, que era fonte da vida. Por isso Tenah se afastou de seu irmão e da luz que ele irradiava, tal como uma estrela. Porém, das trevas Tenah-Bromor sempre observava, e engendrava planos maléficos para seu irmão e sua prole.
Antus, o mais velho dos irmão, era arredio mas vigoroso. Não tinha um coração mal, porém seu espírito era orgulhoso. Deflagru era queixoso, mas sempre subalterno ao irmão mais velho. Uma fagulha de Antus sempre brilhou no coração de Deflagru. Já Ultramor, o mais jovem e pequeno,  sempre foi distante dos irmãos. Seus olhos negros contrastavam com os olhos luminosos de seu pai, que sempre mostrou predileção por ele. Assim como Tenah-Bromor, o filho mais moço de Drennus era indiferente a família, sempre distante, e cada vez mais atraído para as trevas do desconhecido, desbravado apenas por seu tio. Drennus foi incapaz de evitar o abismo que se formava entre o seio familiar e seu filho predileto, que até mesmo em aparência, parecia-se com Tenah. Alguns contam que Antus e Deflagru foram gerados apenas de Drennus, mas o filho mais novo era fruto do incesto entre Drennus e Tenah (Tenah não era infértil, afinal). O certo que que o Deus Luminoso definhava, apagando sua centelha ao perceber seu filho o deixando. Antus resolve enfrentar seu irmão e trazê-lo de volta a presença do pai, mas instigado pelas trevas, que falavam contigo, Ultramor mata seu próprio irmão de maneira selvagem, brutal, devorando seu corpo e tragando sua essência o mesmo foi feito com Deflagru. Drennus sucumbiu logo após a morte de seu segundo filho diante de seus olhos, pelas mãos de seu favorito, que exalava o cheiro do mal, da morte... o cheiro de Tenah-Bromor. As trevas que falavam com Ultramor era o próprio Tenah-Bromor que se fortaleceu ainda mais com  definhamento de seu irmão, se tornando um com toda a escuridão do universo. Seus tentáculos espectrais tentam até hoje apagar todas as estrelas do universo, assim como fez com seu irmão, para que reste apenas trevas. Ultramor é apenas um de seus cavaleiros, manipulado pelos cordões invisíveis de seu engenho do mal. Quando toda a luz for destruída, não haverá existência, apenas Tenah-Bromor, o inevitável fim.