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sábado, 1 de outubro de 2022

ÍMPETO

 Meu ímpeto às vezes é tenaz

Tão forte se faz

Quanto uma tempestade.

Embora recluso, em parte

Na densidade

De uma sombra mordaz.


Porém a treva, sorrelfa, até que apraz.

Calma me traz

Ao peito ansioso.

Longe de mim ser virtuoso

O semblante roto

Esconde um ser voraz.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Imaginação

A imaginação brinca sempre comigo
Leva-me a lugares que eu desconheço.
Quase sempre ela me serve de abrigo
Um mundo meu, sem endereço;

Mas quem disse que é sempre bom?
Às vezes, lá também me machuco.
E apesar das cores com mais tons
Existe trevas e um deserto taciturno.

Ainda assim, lá é melhor do que aqui
Porque lá eu posso ser quem sou.
O mundo real me obriga num convir,
Retendo e moldando o que de mim sobrou.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

O Tempo

O tempo às vezes é deserto
Se alonga mais do que meu corpo suporta
N'outras ele é fragil. Passado
E futuro se cruzam, ao abrir uma porta.

Então, o tempo também é um ciclo,
Uma esteira infinita, girando no mesmo lugar.
Ou como um rio que cava os labirintos
Que percorremos sem nunca avançar. 

O tempo é riso, alegria que passa.
O tempo é lágrima, dor que nunca se esquece.
Coisas boas nuncam duram
E o que é ruim nunca fenece...

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Nada

Eu não costumava me esquecer...
Agora já não me importo,
Já não me esforço, já nem lembro.
Fui moldado com o tempo
Remontando meus pedaços
A dor ficou pelo caminho
Junto com outras tralhas
que não me serviam mais:
A solidão
A tristeza
O amor
A vida
Eu
Agora estou em paz
Nada me desmorona
Nada me faz chorar
Nada me desaponta
Nada me faz sorrir...

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Remorso

O céu reflete sua dor
Em cada lágrima que escorre do seu rosto.
E mesmo que já distante do horror
Amargo ainda é o seu gosto.

A sina que eu plantei
Foi regada a choro e muito maldade.
O que me tornei?
Perdi-me de mim durante as tempestades.

No espelho reconheço os olhos,
ainda que sem brilho, os seus choraram mais.
Sei do remorso que lhe dói
Mesmo sem olhar para trás.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Lugar Nenhum

Também fui ao outro lado, onde há um mundo avesso. Eu desci a rua de baixo e percebi que matei a Fera várias vezes. Como num dejavu cruzei o labirinto e, ao fim, esqueci o segredo. Como num véu, ficou encoberto. Como se fosse apenas um sonho. Mas a sensação de que algo se perdeu me acompanhará para sempre. Isso eu sei.

domingo, 9 de junho de 2019

Sonhos Mortos

Dentro de mim duas forças lutam
Nenhuma é má, nenhuma é boa
Mas o conflito me traz trevas
E um semblante taciturno.
Mato-me por dentro, e por fora
As pupilas se contraem
Feito as de um ser noturno.

Somadas às marcas da alma
A insatisfação que vem dia após dia.
Meus olhos brilham, e nos lábios
Carrego sempre um sorriso zombador.
O espírito frenético num corpo lânguido
Supostamente resistente a dor.

Para conter as trevas no peito
Respiro devagar, estagnadamente.
A luta continua enquanto
Todo o meu corpo se destrói.
Minha vida frágil também se perde
Nesse mundo externo
Onde não encontro meus heróis.