Reza a lenda que Drennus era um pai amoroso para com seus filhos: Antus, Deflagru e Ultramor - os quais ele gerou sozinho. Pois era Deus e ao mesmo tempo, Deusa, assexuado.
Drennus, tinha um irmão, que diferente dele era infértil, apesar de ser Deus também. Seu nome era Tenah-bromor. Ambos já foram um só no ventre da criação, mas no momento do nasceimento se dividiram, e apesar de gêmeos, em nada se pareciam. Enquanto Drennus era essencialmente bom, Tenah-Bromor era sisudo, invejoso, essencialmente mau. Este nunca fora contente com a felicidade de seu irmão, que era fonte da vida. Por isso Tenah se afastou de seu irmão e da luz que ele irradiava, tal como uma estrela. Porém, das trevas Tenah-Bromor sempre observava, e engendrava planos maléficos para seu irmão e sua prole.
Antus, o mais velho dos irmão, era arredio mas vigoroso. Não tinha um coração mal, porém seu espírito era orgulhoso. Deflagru era queixoso, mas sempre subalterno ao irmão mais velho. Uma fagulha de Antus sempre brilhou no coração de Deflagru. Já Ultramor, o mais jovem e pequeno, sempre foi distante dos irmãos. Seus olhos negros contrastavam com os olhos luminosos de seu pai, que sempre mostrou predileção por ele. Assim como Tenah-Bromor, o filho mais moço de Drennus era indiferente a família, sempre distante, e cada vez mais atraído para as trevas do desconhecido, desbravado apenas por seu tio. Drennus foi incapaz de evitar o abismo que se formava entre o seio familiar e seu filho predileto, que até mesmo em aparência, parecia-se com Tenah. Alguns contam que Antus e Deflagru foram gerados apenas de Drennus, mas o filho mais novo era fruto do incesto entre Drennus e Tenah (Tenah não era infértil, afinal). O certo que que o Deus Luminoso definhava, apagando sua centelha ao perceber seu filho o deixando. Antus resolve enfrentar seu irmão e trazê-lo de volta a presença do pai, mas instigado pelas trevas, que falavam contigo, Ultramor mata seu próprio irmão de maneira selvagem, brutal, devorando seu corpo e tragando sua essência o mesmo foi feito com Deflagru. Drennus sucumbiu logo após a morte de seu segundo filho diante de seus olhos, pelas mãos de seu favorito, que exalava o cheiro do mal, da morte... o cheiro de Tenah-Bromor. As trevas que falavam com Ultramor era o próprio Tenah-Bromor que se fortaleceu ainda mais com definhamento de seu irmão, se tornando um com toda a escuridão do universo. Seus tentáculos espectrais tentam até hoje apagar todas as estrelas do universo, assim como fez com seu irmão, para que reste apenas trevas. Ultramor é apenas um de seus cavaleiros, manipulado pelos cordões invisíveis de seu engenho do mal. Quando toda a luz for destruída, não haverá existência, apenas Tenah-Bromor, o inevitável fim.
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domingo, 9 de junho de 2019
quinta-feira, 6 de junho de 2019
Ego
A minha distração
Torna-me alguém tão cruel
Quando estou absorvido em mim
Encontro interno um outro céu
No qual me esvaio, tragado enfim.
Dele retorno,
Nem sempre pelo mesmo caminho
Não percebia que o labirinto estava em mim.
Fincava na pele meus próprios espinhos
E fechava os olhos, fácil assim.
E quando acordei
percebi-me em tamanho pesadelo:
O meu mundo destruído por mim.
O que eu contruí, outrora com zelo
Nas minhas mãos chegava ao fim.
Eu fui um tolo,
Cego, inebriado em tamanha ilusão
Protegendo meu ego em veludo ou cetim
Sentia a dor em meu coração
Mas o mal que me consumia estava em mim
quinta-feira, 30 de maio de 2019
Perturbação
Ao longe um navio pairava
Como suspenso em pleno ar.
A visão me encantava
Tudo perfeito: o céu, a terra e o mar.
E tal como num sonho
Tudo mudou, assim de repente!
Tremores e um vento medonho
Nos sacudiu até mesmo a mente.
Soldados armados surgiram do nada
abatidos por homens de semblante cruel.
A nau pelo fogo tragada
Fumaça, agora, cobria todo o céu.
O chão já transbordado de morte
Nós encurralados, e não havia como fugir
Sem Deus, sem chances, sem sorte
Não havia esperanças a nos iludir.
E da mesma forma como tudo começou
A legião do mal, enfim, se esvaiu
Tal como num sonho tudo acalmou
Um sonho, sim! E dele acordo ainda febril!
Estou só...
Faz tanto tempo que ando por sobre cinzas
Que não me recordo de um um mundo melhor...
Tudo tem sido assim por tanto tempo,
Não lembro se havia mesmo um sol.
Não sinto fome, nem sede, nem cansaço
O vazio que carrego devorou-me tudo... Tudo!
Até as lágrimas que ainda verto
esqueci dos motivos, estou sempre confuso...
Oh Deus, e agora o que eu faço?
Quando eu tinha tudo eu não tinha fé...
Ando sozinho, num mundo destruído
As ruínas que causei estão sob meus pés!
Mas meu peito vazio ainda soluça
As lágrimas que me vertem não adubam o chão.
Estou só... e eu nem sabia
Que eu ainda tinha algum coração...
Que não me recordo de um um mundo melhor...
Tudo tem sido assim por tanto tempo,
Não lembro se havia mesmo um sol.
Não sinto fome, nem sede, nem cansaço
O vazio que carrego devorou-me tudo... Tudo!
Até as lágrimas que ainda verto
esqueci dos motivos, estou sempre confuso...
Oh Deus, e agora o que eu faço?
Quando eu tinha tudo eu não tinha fé...
Ando sozinho, num mundo destruído
As ruínas que causei estão sob meus pés!
Mas meu peito vazio ainda soluça
As lágrimas que me vertem não adubam o chão.
Estou só... e eu nem sabia
Que eu ainda tinha algum coração...
Ignotas Trevas
Tudo aconteceu de repente,
como um grito de bebê na noite.
O urro do Monstro balançava o chão.
E como, na alma, um açoite
desanuviava minhã razão.
O monstro era horrendo!
Ameaçava minha vida, o meu tudo!
Minha prole chorava de pavor!
Tudo ao redor ficou mudo
enquanto eu enchia-me de furor.
Saltei por sobre o monstro,
suas garras rasgaram o meu busto.
O sangue vertia e inundava todo o chão.
Eu me ergui ainda mais bruto,
Morrer não seria uma opção!
Ataquei a fera em igual selvageria:
Eu a lacerava de forma tenaz.
Nossos urros eram trovões e terremotos!
O mundo todo se desfaz
e, de repente, desperto do sonho remoto...
A fúria desesperada me acompanhava.
Em transe continuei no mundo real.
Para onde olhava, ignotas trevas.
O corpo sem alma, só o vazio, afinal,
que ainda me escorre pelas arestas...
como um grito de bebê na noite.
O urro do Monstro balançava o chão.
E como, na alma, um açoite
desanuviava minhã razão.
O monstro era horrendo!
Ameaçava minha vida, o meu tudo!
Minha prole chorava de pavor!
Tudo ao redor ficou mudo
enquanto eu enchia-me de furor.
Saltei por sobre o monstro,
suas garras rasgaram o meu busto.
O sangue vertia e inundava todo o chão.
Eu me ergui ainda mais bruto,
Morrer não seria uma opção!
Ataquei a fera em igual selvageria:
Eu a lacerava de forma tenaz.
Nossos urros eram trovões e terremotos!
O mundo todo se desfaz
e, de repente, desperto do sonho remoto...
A fúria desesperada me acompanhava.
Em transe continuei no mundo real.
Para onde olhava, ignotas trevas.
O corpo sem alma, só o vazio, afinal,
que ainda me escorre pelas arestas...
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019
Precipício
Ela estava sentada sobre as grades do viaduto. Os olhos vazios e o cabelo vermelho. Mas o que chamava a atenção era os hematomas e arranhões, sobre os ombros nus. Marcas de escoriações e feridas ainda abertas por toda a extensão do braço esguio. Enquanto eu passava, ela se mantinha imóvel, olhos fixos no precipício. "Ela vai pular", pensei. E segui sem olhar para trás.
Já fora do viaduto, parei no ponto de ônibus. Ainda conseguia ver a moça desde a altura dos ombros até a cabeça, seus cabelos balançando sob o vento da tarde. Pensei em voltar e perguntar se estava tudo bem, enquanto uma voz na minha cabeça dizia: Não é da sua conta - e realmente não era. Percebi um senhor parando ao lado dela. Acho que ele se preocupou com a moça, naquela situação, mas também logo se foi. Ele andava devagar, olhando para trás, certamente mais preocupado do que eu. Outras pessoas passam e se mostram mais indiferentes. Nesse momento percebi que perdi o ônibus. Ele se afastava, lotado, também indiferente a mim.
Súbito, o vento pára. O meu corpo congela e se aquece ao mesmo tempo. As mãos suam e vejo um pássaro imóvel no céu, prenunciando o mal. Olhei para o viaduto e vejo a garota deslizando no ar, os braços erguidos e sumindo atrás da murada de concreto. O tempo corre lento. Penso em correr e me pôr sob sua queda. Penso no senhor que se foi e no pássaro imóvel. Eu me pergunto o que estou fazendo e tudo parecia um sonho estranho e irreal. Volto a mim com o som de freios e batida de carros. A garota já está no chão. A via quase deserta agora era um caos de carros, que se engarrafavam, e pessoas se aglomerando em volta do corpo.
Eu me aproximo e ganho passagem espremendo-me entre os curiosos. Quando a vejo, sinto outro calafrio. Os cabelos cobriam o rosto, de onde o sangue escorria pelo chão. Todo o corpo amolgado. Fraturas expostas e membros torcidos, ao avesso. Sangue, sangue e mais sangue. A vida se esvaindo rumo ao esgoto.
quarta-feira, 19 de setembro de 2018
Abstrato...
Abstrato... Não pisei no chão que não vi...
Nem sei se andei, ou se cai.
Acordei longe, nem sei o tempo que passou.
Eu não estava aqui,
Não era minha a mão que me cuidou.
Cada brisa, cada brilho, cada fulgor...
Era menos verdadeiro que a dor.
Os olhos abertos, não sei... talvez não...
Talvez fosse apenas torpor
ou falta de ter um coração...
Abstrato... abstrato demais...
Nada é palpável... isso é paz?
Não sentir, não querer, não se importar...
Nada é real... e tanto faz.
Ando sempre em círculos... no mesmo lugar...
Nem sei se andei, ou se cai.
Acordei longe, nem sei o tempo que passou.
Eu não estava aqui,
Não era minha a mão que me cuidou.
Cada brisa, cada brilho, cada fulgor...
Era menos verdadeiro que a dor.
Os olhos abertos, não sei... talvez não...
Talvez fosse apenas torpor
ou falta de ter um coração...
Abstrato... abstrato demais...
Nada é palpável... isso é paz?
Não sentir, não querer, não se importar...
Nada é real... e tanto faz.
Ando sempre em círculos... no mesmo lugar...
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