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quinta-feira, 30 de maio de 2019

Ignotas Trevas

Tudo aconteceu de repente,
como um grito de bebê na noite.
O urro do Monstro balançava o chão.
E como, na alma, um açoite
desanuviava minhã razão.

O monstro era horrendo!
Ameaçava minha vida, o meu tudo!
Minha prole chorava de pavor!
Tudo ao redor ficou mudo
enquanto eu enchia-me de furor.

Saltei por sobre o monstro,
suas garras rasgaram o meu busto.
O sangue vertia e inundava todo o chão.
Eu me ergui ainda mais bruto,
Morrer não seria uma opção!

Ataquei a fera em igual selvageria:
Eu a lacerava de forma tenaz.
Nossos urros eram trovões e terremotos!
O mundo todo se desfaz
e, de repente, desperto do sonho remoto...

A fúria desesperada me acompanhava.
Em transe continuei no mundo real.
Para onde olhava, ignotas trevas.
O corpo sem alma, só o vazio, afinal,
que ainda me escorre pelas arestas...

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