Eu tinha um pássaro nas mãos
que não me cabia possuir.
Dedos eram grades, uma prisão
que o impediam de partir;
Eu, dependente, o prendia.
Ele, feito tolo, aceitava.
Mas apesar da alegria
meu coração se envergonhava;
Assim sendo, eu o libertei.
Mas o tolo pássaro não partiu.
Eu, louco então, o esmaguei
pois a ira me consumiu;
Enquanto o sangue escorria
o desespero me assolou.
A minha mão suja tremia
_Por que você não voou?
_Pássaro idiota! - e a cabeça
desprendia do amolgado corpo.
E como numa tragédia grega
o vivo é justificado pelo morto.
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