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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

NIRVANA





Krishna trouxe-me paz ao coração
Enxerguei um mundo melhor e fiquei tranquilo
Distanciei-me dos viés da ação e não-ação
E não precisei fixar-me em nenhum trilho;

Cristo aconselhou-me em silêncio
Como Sidarta, tocou-me com sua doutrina
Não mais preocupo-me com acúmulos e dispêndios
O vento que derruba casas, também ondeia crinas;

Encontrei a Razão no mundo e em mim
Assim fiquei contento, e meu espírito em paz
Toda a minha vida levou-me a este fim:

Seguir o meu caminho, sem olhar para traz
A minha mente condiz
Com o que a alma quer, e o corpo faz.

DESERTO



Num deserto eu tenho estado desde sempre.
O horizonte se confunde com o céu, sem estrelas.
Algumas vezes me deixei sorrir, de esperança.
Outras vezes, de tão escuro, não pude vê-las.

Mas eu me acostumei, com o deserto,
com a solidão. Um só, nós nos tornamos.
A vida me fez assim: de armadura,
fechado até mesmo para quem amo.

Superficialmente tornei-me frio e até cruel.
Mas insensível o meu coração nunca foi.
Por dentro, morri algumas vezes e só Deus sabe
como foi difícil ressuscitar depois.

E tenho sido assim desde então: Só
Porque não sei viver, não sei amar, não sei fingir.
O destino de pessoas como eu: o deserto
e o esquecimento depois de partir.

domingo, 4 de outubro de 2015

KARMA

Tu abres mão do Livre-arbítrio
Quando impões, sobre o próximo, tua vontade.
Absorves, em ti, o suplício
Infligido sob a sombra da maldade.

A Lei Cabalística se cumprirá
Serei, eu mesmo, o teu carrasco.
Antes de morrer, sofrerás
De ti até porcos sentirão asco.

Aqui tu fazes, aqui mesmo tu pagas.
Teus olhos serão arrancados a ferro.
Teu espírito perdido nas plagas,
Queimará no fogo do Inferno.

Lâminas libertarão tua dor.
Tuas vísceras expostas - devoro teus rins.
tua face transbordando pavor.
Todos os teus ossos quebrados por mim.

Nos teus olhos, agora, o arrependimento.
Eu atormento e dilacero a tua alma.
Sofrimento é pago com sofrimento.
Tuas lágrimas não compensarão o teu Karma!